Com este artigo pretende-se apenas desenvolver uma parcial visão feminina sobre os efeitos da crise social que nos assola, a mais grave dos últimos 30 anos. Mas é também um artigo sobre a urgência de uma resposta que tenha em conta os mais diversos interesses, das maiorias e das minorias sem voz, onde a dimensão de género se enquadra.
O recente relatório sobre o Progresso da Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens no Trabalho, Emprego e Formação Profissional torna clara a segregação do Mercado de trabalho em função do sexo.
Em todo o país, a taxa de desemprego feminina é sistematicamente superior à masculina, independente do grau de estudos. Palmela não é excepção. Em Maio existiam no concelho quase 1500 mulheres sem emprego, havendo mais de 150 desempregadas do que desempregados. São as mulheres que têm mais contratos de trabalho a termo e outras situações de precariedade, inversamente à percentagem de contratos sem termo, superior para os homens.
Com estes números, engrossa-se a dívida interna em Portugal - a dívida da desigualdade, da pobreza e do desemprego - e a sua resolução deve a ser a prioridade das políticas, sejam elas europeias, nacionais ou locais. É a dívida do país para com as mulheres que recebem menos do que os homens pelo mesmo trabalho mas também para com o milhão e meio de precárias e precários ou a recibo verde. É a dívida do país para com os dois milhões em situação de pobreza, a maioria mulheres e que já representa uma parte significativa da população sem-abrigo.
O planeamento das localidades assente no modelo caducado de família nuclear não tem sido capaz de ter em conta as famílias modernas onde a actividade profissional das mulheres assume um papel central. A cristalização do estereótipo da mulher predestinada à vida familiar criou uma série de disfunções e tensões sociais que agravam a desigualdade.
Estando em revisão o Plano Director Municipal de Palmela, o documento estratégico para o concelho, importa garantir a existência de equipamentos sociais de vizinhança, de serviços de proximidade que aliviem as rotinas domésticas e facilitem o quotidiano das cidadãs e cidadãos, criando espaços de lazer e de participação social e política, num urbanismo que responda às necessidades das pessoas, em especial das mulheres.
Importa conhecer aprofundadamente o concelho em termos de Igualdade de Género, sempre com o objectivo de tornar Palmela uma terra mais justa, mais igualitária e por isso mais democrática.
Defendemos a elaboração de um Plano Municipal para a Igualdade de Género de Palmela, como instrumento espelho da realidade e que avance com medidas de apoio e promoção da igualdade entre homens e mulheres, seja na participação social, política ou profissional.
Para responder às necessidades dos novos tempos temos de apoiar e fomentar todas as iniciativas que visem a partilha do trabalho doméstico e do cuidado com as crianças, exigir que em todos os projectos de construção sejam incluídas áreas para equipamentos colectivos como lavandarias, creches e cozinhas ou propor a implantação de programas municipais de habitação que responda nomeadamente às mulheres solteiras, com mais dificuldades de acesso aos financiamentos convencionais.
Estes são apenas humildes contributos, longe de ideias ou propostas absolutistas, abertas à participação e debate por parte de todas e todos os palmelenses. É com as mulheres que queremos construir um concelho mais amigável, um país mais igual e uma Europa mais justa. Com todas elas e cada uma. Todas seremos poucas.
Artigo de Opinião hoje publicado no Jornal Impacto da Região
segunda-feira, 29 de junho de 2009
DESEMPREGO E POBREZA ESCREVEM-SE NO FEMININO
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